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Museu da Revolução

Agenor de Lima, ex-combatente, relata sua experiência na Revolução de 1932

 

“Eu lidava com boiada ganhava 60 mil réis por mês. Quando rebentou a guerra do lado mineiro, do lado carioca, o patrão disse que não dava pra viajar mais. Aí falei com um colega e fomos juntos dar o nome; eles (os oficiais paulistas) pagavam 250 por mês. Eu tinha 17 anos. Depois fomos contando pra um pra outro e logo tinha uns 20 alistados. O sargento e os cabos deram treinamento, ensinaram a atirar e então mandaram a gente para a trincheira de retaguarda, junto com uma porção de soldados da capital. A gente ficava deitado coberto e eles (soldados mineiros) não descobriam não. A gente gritava daqui e os mineiros gritavam de lá. Tinha trincheira na barreira, no Quilombo e no Paiol Grande”

“Na sexta-feira, dia 2 de outubro de 1932, o comandante veio dizer que a revolução tinha acabado, que eles iam pagar os patriotas (os soldados constitucionalistas) e que depois a gente podia ir embora. Mas quando chegou o sábado 7 horas da manhã a cavalaria mineira entrou pela barreira e o pessoal passou fogo de metralhadora, eles atiraram também, teve gente ferida, morreu uma porção de cavalo. Os mineiros entraram em São Bento e ficaram acampados no grupo (escola Coronel Ribeiro da Luz). Perseguiram muita gente. Se algum rapaz ou homem confessava que era patriota eles prendiam e até davam uns cascudos. O povo da cidade correu tudo, a mineirada ficou aqui mais de mês. Depois assinaram a paz os mineiros e paulistas”.

“Fiquei escondido uns dias no mato, no alto da serra. Depois consegui umas roupas e fui para Santo Antônio do Pinhal, passei para o Zé Rosa e depois pro Paiol grande. Comida não tinha, às vezes alguém dava alguma coisa. Um dia achei um cacho de banana numa casa e matei a fome. Peguei o caminho da candelária e encontrei uma gente conhecida, mas eu tava muito barbudo e cabeludo e eles ficaram em dúvida. Disseram que eu devia ser patriota e eu disse que tinha sido mesmo. O que eu ia fazer? Me deram almoço e fiquei 3 dias com eles, tirando leite. Queriam que eu fosse tirar mel , mas aí disse que com abelha eu não trabalhava não. E fui embora.”

Estes são relatos gravados pelo professor Francisco M. P. Teixeira em 8 de novembro de 2001. Quem relata é o Senhor Agenor de Lima, ex-combatente de São Bento do Sapucaí.

De acordo com a Imprensa da Prefeitura de SBS, Seu Agenor mora no Baú do Centro. O relato acima pode ser visto no “Museu da Revolução” que fica dentro da Pousada do Quilombo em São Bento.

O Museu da Revolução de 1932 de São Bento do Sapucaí foi inaugurado em 2004. Instalado numa casa de pau a pique guarda objetos utilizados pelos soldados, assim como preserva a história em depoimentos, diplomas e jornais da época. O Museu está aberto à visitação na Pousada Quilombo, que fica no bairro do Quilombo.


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